segunda-feira, 30 de abril de 2007

Fórmula aproximada




A paixão, de que tanto se fala e que tanto é almejada, nada mais é, do que coincidências que combinam um momento, uma necessidade, um lamento, uma saudade, um vazio de duas pessoas. Duas pessoas sentindo-se sozinhas, em carência emocional , não precisam ter mais que uma estética agradável e um assunto em comum pra se aproximarem. Daí, não é necessário nada mais que alguns poucos dias( menos de 7, contando apenas os dias em que houve contato) , para que se apaixonem. É fato que, se houver compatibilidade sexual e temperamental, as coisas podem exceder as espectativas. Muito raramente, ocorre que,além dessas duas terem as semelhanças consideradas primárias e que são o intróito da aproximação afetiva, elas possuem compatibilidade nos pontos de maior importância. Basta apenas tolerância nos pontos mínimos, e com o tempo e o trabalho diário nesses pequenos pontos, a tolerância se encarrega de amadurecer a relação. Não deixe perder a magia, e faça algo inesperado de vez em quando. Conceitua-se o dito amor, da evolução de uma paixonite.

Flor do cerrado

Todo fim de ano é fim de mundo e todo fim de mundo
É tudo que já está no ar, tudo que já está
Todo ano é bom todo mundo é fim, (...)
Todo mundo sabe e você sabe que a cidade vai sumir por debaixo do mar
É a cidade que vai avançar, e não o mar, você não vê
Mas da próxima vez que eu for a Brasília
Eu trago uma flor do cerrado pra você (...)
Tem que ter um jeito e vai dar certo e Zé me diz
Que ninguém vai precisar morrer para ser

sábado, 21 de abril de 2007

Poison .´.


Beba com moderação
Aquilo que você quer ver
Do jeito que sabe que não terá
Aquilo que você quer ouvir
E sabe que não sentirá
" sereia que canta,destemida Yara
Agua e folha da Amazonia"
Aquilo que você quer amar
E que nunca amará
Porque se conseguir, tão logo,
tão logo desistirá.
Beba do poço sem fundo da fonte sem fim
Que é doce veneno, pr´os lábios carmim
É sangue pulsando, dói e faz bem.
EXPERIMENTA! Experimenta. experimenta?

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Ar-te .


O que é uma vida de artista
No mercado comum da vida humana
Um projeto de sonho inocente
Eu talvez não te veja esta semana
Pescador quando tece sua rede
Jogador quando joga a sua sorte
Cada um que conhece sua sede
É artista da vida ou da morte(...)
Vida de artista - de Sueli Costa e Abel Silva.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Logo.


"Vai"-disse- "Antes que o belo astro do dia
Sete vezes penetre nesse espaço,
Que o Áries cobre na celeste via"
"Tão boa opinião com fundo traço
Melhor será na tua fronte impressa
Do que de outro por voz a cada passo
Se o Sumo Querer ordem não cessa"


Canto VII ,45-46,Divina Comédia,Dante Alighieri.

domingo, 8 de abril de 2007

Cristal oco


De que valem as taças cristal ouro, que são, na verdade, copos vazios?

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Cá entre nós,Judas.




Já concordei: "O dinheiro não é tudo". Já discordei: "Tudo é a falta de dinheiro". E duvido: é fundamental mesmo muito dinheiro? São fundamentais essas quantias imensas que, em vez de servirem a nossa vida, nos obrigam a trabalhar por elas? Quais são os bens materiais mínimos que Santo Agostinho apregoava como fundamentais para exercer as virtudes do espírito? O miserável, é evidente, não pode colocar um calção de banho, como eu faço, e caminhar na praia diariamente, como uma criança feliz. Mas o milionário igualmente não pode. No balanço da felicidade humana, quanto vale uma amizade? Uma fé? Uma reputação? Aqui entre nós, Judas, 30 dinheiros foi mesmo um bom preço?

domingo, 1 de abril de 2007

Cobertor


Acalanto do pseudo

Na brisa fria hodierna
Senti o teu perfume
Porque eu fiz teu perfeume
Assim como te fizeram pra mim

É doce, porque me impulsiona
Minha força motriz é o amor
Um dia será a de todo mundo
Ou o mundo não será

Não é reflexo de minha falta
Pois não é vista em fonte de Narciso
É desejo de ser Arlequim
E não mais pierrô transido

Talvez seja máscara de meu desterro ,
Talvez fruto da imaginação
É quase que aconchego,
Eu diria: saudável evasão

É o motivo mais emotivo,
Que me garante segurança
Que me afasta do devaneio,
E que me traz esperança

Se for lúdico escapismo,
Deixe-me ser fugitivo
Mas por favor, não me acorde,
Deste sonho de criança

Rafael Reche .´.


*Este texto foi publicado em A Utopia das Palavras, volume seis.
O escreví por volta de Abril de 2006, e tenho por ele muito apreço.